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terça-feira, 22 de novembro de 2011

resto

Nada que sinto é sucinto.

Tudo que penso é imenso.

Tudo que minto é verdade,

e muito do que quero é vaidade.

Algo do que sonho, pressuponho

E quando muito espero, exagero.

Tudo o que sei é relativo.

Nada do que vivo é absoluto.

Então, o que sobra?

O resto.

Que, sendo nada, é tudo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Silêncio.

domingo, 3 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Tempo em poesia


A pedra desfez-se em grãos
de areia, e a ampulheta, cheia,
corria contra o tempo - em vão.

domingo, 13 de março de 2011

Tropeço


Percorria rápido o caminho,
sem desfrutar a jornada.
Só quando tropeçou,
e se desviou
do seu destino
foi que viu, enfim,
a beleza da estrada.

sábado, 12 de março de 2011

O amor no fundo do poço.


"procura-me por todos os lados, procura-me
às escuras por todos os lados, estarei
algures, fremindo, criando bichos entre
os braços e as pernas, aguardando que
me salves. Só assim te amarei, se souberes
descortinar o caminho para o lugar onde
me escondo, com medo, com fantasmas,
feito para ser amado apenas por quem
avistando-me no fundo do poço, me
puder querer sem garantia de outra condição"

Valter Hugo Mãe, "Exercício do Bom Amor".

*A ilustração é do Esgar, que ilustrou todos os poemas do Valter Hugo nesse livro.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Guardar

"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro,
do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar. "

Antonio Cícero, "Guardar".

domingo, 6 de março de 2011

Fantasia

Minha melhor fantasia:
cobrir meu corpo
com a tua poesia.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


Só você
consegue me
trans-
f(l)or-
mar.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vem, entra. A casa é tua.

Balanços - II

"Como saber sem tentar?
Como tentar se é tão fácil
conformar-se de saída
com a idéia do fracasso?

Pois fracassar justifica
o não se ter nem sequer
admitido não querer-se
aquilo que mais se quer.

É um beco sem saída,
mas sempre melhor que a rua:
mais estreito. Acolhedor.
Vem, entra. A casa é tua."

Paulo Henriques Britto, "Tarde".

Sujeito Indireto

Sujeito Indireto

"Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.

Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.

Quem dera um angulo reto.
Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito."

Paulo Leminski