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terça-feira, 15 de março de 2011

Resenha: "Pedro Páramo", de Juan Rulfo.

Pedro Páramo é um livro tão lindo, tão incrível, que fico até com medo de escrever sobre ele e estragar a maestria de Juan Rulfo. Escrevi maestria porque o livro inteiro me pareceu uma música, as palavras todas no exato lugar, o ritmo perfeito. Mas é uma música diferente, feita de silêncio, de deserto, de ar parado. E aí é que residiu meu maior encantamento com o livro. Porque Pedro Páramo é um livro árido. Em certos momentos quase sentia o gosto da terra na boca, o barulho ensurdecedor do silêncio. Rulfo fala de solidão, morte, desgraça e tristeza, mas em nenhum momento o livro torna-se dramático ou pesado, pelo contrário. Parece que quanto mais ele falava de morte (ou através dos mortos) mais eu escutava vida. Quanto mais ele falava de maldade, mais eu escutava o que há de humano em cada um dos personagens.

Além disso, toda a narrativa não linear, a construção da história e o realismo irreal só tornaram o livro ainda mais encantador.

E para não me perder em palavras desnecessárias e seguir o estilo de Rulfo - onde menos sempre é mais - vou terminar dizendo apenas isso: leiam.