segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Abro os olhos, mas continuo sem enxergar. Não me acho onde procuro, e só me encontro comigo lá onde nunca estive. No segundo seguinte o lá não é mais lá, mudou de lugar ou fui que mudei? Não sei. Nada, não sei nada, não sei nadar e me sinto buscando ar, quase me afogando no mar de sentimentos que me inunda o peito. Busco as palavras, agarro-me a elas como se fossem barcos salva-vidas, como se pudessem me resgatar e devolver-me à terra firme. Ilusão, a terra da vida nunca é firme. Não adianta fazer planos, o terreno em que caminho é acidentado demais, todo passo pode ser em falso, e cada queda inevitável é a chance de um novo começo. Levanto, pé ante pé, fé não sei bem em quê. No sujeito, no desejo, na distração que leva ao ato e a atadura que estanca o sangue me dá força pra continuar. Sigo. Não por saber aonde ir, nem sequer por querer chegar, mas porque... Por quê mesmo? Não importa, não sei se há motivo, continuo apenas, caminhando a duras penas, penas perdidas no último voo, penas que começam a nascer mais uma vez, talvez por isso eu siga, porque há quem diga que a vida só acontece uma vez e prefiro me perder lá do que só me encontrar, a sós, aqui.

9 comentários:

Rui Pascoal disse...

"Ser feliz não impede o dia seguinte" mas o inverso também é verdadeiro.

Ígor Andrade disse...

Um mergulho, este texto. Bonito!

Abraço, Carina!

Ana SS disse...

A gente se apaixona pelo caminho, então já não importa para onde estamos indo.

Ou importa, mas a gente se esquece disso e paga o preço depois.

Simples de coração disse...

Lindo!

Ayanne Sobral disse...

"Não me acho onde procuro"
E, de todas as vezes que procuro, encontro rastros. Dos rastros, suspiro. Do suspiro, fôlego. Do fôlego, coragem pequena. Fé. Esperança. Desejo.
Então, pulo. E vou. E voo.
Pra onde? Lá - que nunca é lá, mas lá. Ou lá.
Até abrir os olhos e me procurar de novo. E encontrar. Rastros. Reticentes...

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Lindo, Carina. Lindo.
Tuas palavras atingiram pontos que eu nem sabia existir em mim. Eu pude sentir o vento no rosto, porque você conseguiu dar asas as letras. E elas alçaram voo e vieram pousar aqui, do outro lado da tela.
Um beijo, querida.

Talita Prates disse...

Cá,

que lindo desabafo.

E fico pensando que o melhor que temos a fazer é morar no caminho.
Quanto às penas, somos fênix, não me resta dúvidas.

Um beijo, amiga querida.

Tá.

Jhenyffer Andrade disse...

Na maioria das vezes as palavras é que nos salvam.
Gostei.
Abraços.

Giovanna Cóppola disse...

Devo concordar quando diz que é sempre bom se perder lá. Gostei das suas palavras. :)

Lívia Azzi disse...

Linda Carina,

as palavras me conferem a doce ilusão de que há algum sentido para a vida. Elas me fazem ver o que não posso enxergar quando meus olhos estão abertos. Eis a boa fé: desejar estar lá (vendo o que não vejo) aqui.

Beijo doce de carinho!

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